"Que o Senhor vos ilumine, abençoe e vos proteja."

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

RIO DEGEBE: "RIO ASSASSINO DE JOVENS", décadas de 60/90.


Pedro V. no levamento científico
Pedro V. (Machede) no Degebe
Rio Degebe (Jan/07)

Rio Degebe (Jan/07)



Rio Degebe deslizando na planicie...
Rota dos Moinhos - Rio Degebe
De vagar se vai ao longe… Grupo de Caminheiros de Évora
Ponte sobre o Rio Degebe na estrada entre Évora e Reguengos de Monsaraz, 27/11/2008.
fotos:JCRamalho
O rio Degebe é um dos mais importantes afluentes do Guadiana.Tem cerca de 18 km navegáveis e podemos encontrar inúmeras árvores submersas e semi-submersas.Muito arbusto e alguma pedra interessante onde podemos encontrar bons achigãs.O rio tem duas pontes próximas uma da outra, já no final do troço e perto da Amieira.O famoso cemitério da Amieira já mesmo no final do troço fica na ribeira do Cagavai (nome interessante).É um rio que estreita mais ou menos a meio do percurso e as águas não costumam turvar muito.Rio nasce a NE de Évora, corre na direcção SSE. Passa em várias freguesias dos concelhos de Portel e Reguengos de Monsaraz.
Rio afluente da margem direita do rio Guadiana, que nasce a norte de Évora e cuja sub-bacia hidrográfica ocupa uma área de 262 Km2. Nesta linha de água foi construída a albufeira de Monte Novo, com uma capacidade total de 15,28 hm3 e uma capacidade útil de 14,78 hm3, que, actualmente, se encontra integrada no sistema do Alqueva.
O VOO DAS PALAVRAS
Rio Degebe
Blogue de António Garcia Barreto

Sábado passei junto ao Rio Degebe. Entretanto, lembrei-me do poema de Antunes da Silva, com o mesmo nome e incluído no seu livro de poemas, publicado em 1973, intitulado, precisamente, "Rio Degebe". Alentejano de Évora, empurrado para a capital pelos negócios da vida, Antunes da Silva nunca perdia de vista o seu Alentejo. Aqui fica um excerto do poema, que há 35 anos mostrava a sua preocupação pelos problemas ambientais que envolviam o rio.

(…)
Olhei o rio Degebe ontem à tarde,
fazia sol mas os meninos tinham frio.
O rio Degebe tem tranças sujas, margens lodosas de escrementos acidulados,
a varrer o seu crâneo de flor de macela.
Da fonte do Louseiro
vê-se o rio Degebe parado: dejectos vários assinalam a doença do tunante,
galinhas naufragadas, cestos de vime desfeitos,
latas, plásticos descorados, restos de comida,
plantas lacustres riscavam o rio Degebe ontem à tarde.
(…)
Olhei o rio Degebe no fim do ano
de mil novecentos e setenta e dois,
e a sua corrente deitava cheiros de melões azedos,
ninguém limpa o seu ventre onde o céu se mirava, os próprios
líquenes desapareceram, não há quem dinamite os remoinhos
que tantas mortes já causaram…
(…)
Quando vi o rio Degebe ontem à tarde,
um rio assassino de jovens e ladrão de terras mal as chuvas vêm
e mordem o seu leito rugoso que aparenta areias movediças,
tive a sensação que já não era possível fazer piqueniques
junto aos arvoredos que circundam as suas margens, nem ver a cidade
velha num binóculo imaginário por entre as folhas das oliveiras.
Antunes da Silva, "Rio Degebe", Prelo Editora,1973

3 comentários:

  1. O amigo Bruno copiou fotos do Rio Degebe do meu blog e publicou no seu sem indicar o autor das mesmas.
    Por favor queira rectificar... recorde-se que usurpar direitos de autor é considerado perante a lei um crime público. Grato pela atenção...
    JC Ramalho http://filhodovento2006.blogspot.com)

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  2. peace and love!!!!!!!!!!!

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  3. Boa Tarde,
    Gostaria de perguntar se o muro de pedra aparelhada que se vê nas primeiras fotografias corresponde aos vestígios da muralha do antigo Castelo do Degebe?

    os melhores cumprimentos,
    catarina

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